Falando a mesma língua

27/11/2009 | 16:42

Um revelador estudo da consultoria internacional Deloitte aponta que um dos maiores desafios para o nosso país, visando à organização da Copa de 2014, é a incapacidade de articulação entre os agentes públicos brasileiros, situação que atrasa ou emperra o andamento e execução dos essenciais projetos voltados à área de infraestrutura. Essa condição, sublinha a Deloitte, fica fácil de ser percebida quando acompanhamos iniciativas muitas vezes erráticas dos gestores da União, dos Estados e municípios que resultam em tempo perdido e em dinheiro público mal empregado.

Para atacar essa realidade, que também se verifica aqui no Estado, constituímos no âmbito da Assembleia Legislativa o Fórum de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul. De caráter suprapartidário e envolvendo diferentes agentes da sociedade civil, o fórum vem atuando com o singelo objetivo de possibilitar uma pauta positiva para o Estado, visando ao seu efetivo desenvolvimento e capacitação para os desafios das próximas décadas, como é o caso da Copa do Mundo. Em pouco mais de três meses de atuação, já obteve importantes resultados, como foi o caso do protagonismo das discussões sobre a constituição de uma ferrovia pública no Rio Grande do Sul.

Outro objetivo do fórum é criar mecanismos de articulação, gestão e integração entre as diversas esferas da sociedade e do Estado brasileiro. O propósito dessa ação é fazer com que todos “falem a mesma língua”, para que as obras e o conjunto de investimentos direcionados ao Rio Grande do Sul sejam pensados e aplicados de forma estratégica e integrada entre os entes federativos.

Como já estamos vivendo, efetivamente, a Copa do Mundo, além da essencial integração, também será fundamental o controle rígido do andamento das obras a serem realizadas no Estado, adotando modelo semelhante ao da cidade de Londres, em seus preparativos para a Olimpíada de 2012. Assim, a proposta do fórum é a constituição de uma tabela referência com indicadores das obras do Estado. Com essa ferramenta será possível mensurar o custo do empreendimento, sua relevância, que gargalos irá resolver, o seu estágio de andamento e a previsão de conclusão.

A ideia é implementar essa tabela ainda em 2009 para que a cada final de ano possamos revisá-la, constatando os avanços e as dificuldades de cada empreendimento. Apontando os erros, revendo estratégias e impedindo o mau uso dos recursos públicos. O sucesso dessa iniciativa – que depende da integração e do compromisso de todos os que lutam pelo desenvolvimento do Rio Grande – não representará tão somente uma vitória do Fórum de Infraestrutura e Logística, mas, sim, mais uma conquista de nossa sociedade.

(*) Deputado Estadual (PT)

Por Fabiano Pereira *.


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